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ENTREVISTA: “Tenho muito a contribuir na Câmara Legislativa”, diz Chico Vigilante

ENTREVISTA: “Tenho muito a contribuir na Câmara Legislativa”, diz Chico Vigilante

Petista foi reeleito para o 6º mandato, aposta na vitória de Leandro Grass e cobra CPIs do BRB e do Iges

FONTE: JORNAL BRASÍLIA CAPITAL

“Se eu deixasse de ser candidato a distrital, ia diminuir a bancada do PT" - Foto: Luã Tomasson/Brasília Capital

“Se eu deixasse de ser candidato a distrital, ia diminuir a bancada do PT” – Foto: Luã Tomasson/Brasília Capital

Orlando Pontes e Tácido Rodrigues

Às vésperas da eleição, o deputado distrital Chico Vigilante (PT), que tenta o sexto mandato na Câmara Legislativa, não tem dúvida: a disputa pelo Governo do Distrito Federal terá segundo turno entre Celina Leão (PP) e seu correligionário Leandro Grass. E de que a vitória será do petista. “Vai ter segundo turno, e o nosso companheiro Leandro vai ganhar”, disse, em entrevista ao Brasília Capital. Segundo Vigilante, a ampla aliança de 14 partidos montada pela atual governadora não é garantia de vitória. Ele também cobrou a criação de CPIs do BRB-Master, classificado por ele como “o maior assalto da história”, e do Iges-DF.

Caso o sr. seja reeleito, o que será prioridade no novo mandato? — Abrir uma CPI do BRB/Master. Não estamos falando de pouca coisa. O maior assalto do mundo era o do trem pagador, em Londres. Depois teve o do Banco Central em Fortaleza. Aqui já está comprovado R$ 12,6 bilhões, e pode chegar a R$ 30 bilhões. O Legislativo tem que apontar os culpados. E o Ministério Público precisa oferecer a denúncia e mandar os responsáveis para a cadeia. Tem que ir atrás de cada centavo que nós estamos pagando. Enquanto faltava crédito para o pequeno empresário, o banco patrocinava campeonato de vela em Dubai.

O sr. também defende uma CPI para o Iges-DF… — Sim. Ou a gente moraliza essa questão, ou o Iges destrói a saúde pública do DF. Rollemberg criou esse monstrengo. Ibaneis dizia na campanha que ia acabar com ele. Mas, ao assumir, gostou e ampliou para o Hospital de Santa Maria e todas as UPAs.

A saída é extinguir o Instituto? — A Secretaria de Saúde também é uma lástima. Há modelos que deram certo, como a Ebserh, que cuida de hospitais universitários. Dá para criar uma agência assim no DF, com licitações mais rápidas. Tem que ter vontade política.

Por que decidiu não concorrer ao governo ou ao Senado? — A nossa Lei Orgânica é parlamentarista. O governador não pode quase nada. O que falta é a Câmara assumir o papel dela. Se eu deixasse de ser candidato a distrital, ia diminuir a bancada do PT. Estou fazendo um sacrifício para mantê-la.

E o discurso da renovação? — Tem que ter renovação, mas tem que usar a experiência de quem já viveu mais. Em 1979, organizei a primeira greve dos vigilantes. Quarenta e cinco anos depois, tenho muito mais experiência. Assim como acredito ter muito a contribuir com Brasília na Câmara Legislativa. Exatamente pela experiência adquirida ao longo de todos esses mandatos.

A Fecomércio foi à Justiça contra a lei de sua autoria que obriga os estabelecimentos a liberarem o uso dos banheiros. Vai recuar? — É bom que se diga que a proposta surgiu porque fui vítima. Sou diabético, e as pessoas que tomam remédio para pressão ou estão grávidas urinam mais. Uma farmácia em Ceilândia me negou o banheiro e tive que ir ao pé de um poste, na chuva, como um cachorro. A lei foi aprovada por unanimidade. Em vez de ir à Justiça, a Fecomércio deveria ter vindo conversar, e a gente colocava limites. Estou disposto a ajustar. O que não pode é ficar como está.

Flávio Bolsonaro o acusa de mentir, num post, que ele quer tirar de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil. Vai apagar? — Não. O que eu publiquei tem fundamento. Repliquei uma notícia da GloboNews sobre um projeto bolsonarista para tirar o título de Nossa Senhora de padroeira do Brasil. Por que ele não processou a GloboNews? Pode processar. Sou católico, mas não uso a imagem de Nossa Senhora em eleição. Acho um sacrilégio.

Lula proibir as bets a nove dias da eleição é populismo? — É uma medida de saúde pública. A bet é a destruição da família. Não é rico que está jogando. É dona de casa pegando o Bolsa Família e, em vez de comprar arroz e feijão para os filhos, fazendo aposta. O presidente Lula tinha que fazer, e fez. Isso vicia mais do que cocaína.

Como vê a disputa pelo GDF? — Vai ter segundo turno, e o Leandro Grass vai ganhar. Aliança não quer dizer nada. O eleitor está olhando como está a saúde e a segurança pública. E acho uma lástima não deixarem o Arruda ser candidato. A população é que deveria decidir.

Por que votar de novo em Chico Vigilante? — Tenho uma folha de serviços prestados impecável. Dediquei boa parte do mandato aos idosos, que já são 520 mil no DF, e à defesa dos trabalhadores e dos terceirizados. Quero usar minha experiência para continuar levando obras importantes para a educação e para a saúde públicas. E, principalmente, para fiscalizar os atos do Poder Executivo.

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