No momento, você está visualizando Professora Marta Lobo denuncia racismo estrutural e alerta para uso comercial da diversidade racial

Professora Marta Lobo denuncia racismo estrutural e alerta para uso comercial da diversidade racial

Professora Marta Lobo denuncia racismo estrutural e alerta para uso comercial da diversidade racial

Em entrevista ao programa Identidade Negra, da TV Comunitária de Brasília, pesquisadora da UnB explica o conceito de blackwashing e defende políticas públicas de inclusão, permanência universitária e combate às desigualdades.

A professora e pesquisadora Marta Lobo, colaboradora do Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília (UnB), alertou para a persistência do racismo estrutural e institucional no Brasil e denunciou práticas empresariais que utilizam a imagem da população negra como estratégia de marketing sem promover mudanças efetivas nas relações de trabalho.

As declarações foram feitas na quinta-feira (29/10), durante o programa Identidade Negra, da TV Comunitária de Brasília, em entrevista dedicada ao debate sobre racismo, políticas afirmativas e o fenômeno conhecido como blackwashing. Segundo Marta Lobo, o termo identifica práticas de empresas e instituições que divulgam compromissos com a diversidade racial, mas não os traduzem em medidas concretas de igualdade, inclusão profissional e combate à discriminação.

A pesquisadora explicou que algumas organizações utilizam pessoas negras em campanhas publicitárias, produtos e ações institucionais, enquanto mantêm obstáculos à ascensão desses profissionais aos cargos de direção e maior prestígio. Para a professora, a contradição demonstra que o enfrentamento do racismo exige mudanças estruturais, e não apenas campanhas de valorização da diversidade.

Marta também abordou o papel das políticas de cotas e das ações afirmativas na democratização do ensino superior, destacando a contribuição histórica do movimento negro para essas conquistas. A educadora ressaltou, entretanto, que garantir o ingresso nas universidades não é suficiente. É necessário ampliar as políticas de permanência estudantil, com apoio financeiro para alimentação, transporte, moradia e aquisição de materiais acadêmicos.

Outro tema destacado foi a importância da educação das relações étnico-raciais, prevista na Lei nº 10.639/2003, como instrumento de conscientização, valorização da história afro-brasileira e enfrentamento do preconceito desde a infância. A pesquisadora também chamou atenção para a publicidade de bebidas alcoólicas, refrigerantes e alimentos ultraprocessados direcionada às populações negras e periféricas, relacionando essas práticas às desigualdades no acesso à alimentação saudável.

Na avaliação de Marta Lobo, a concentração desses produtos em comunidades vulneráveis exige maior atenção das autoridades públicas, especialmente diante dos impactos sobre a saúde coletiva.A professora defendeu o incentivo à agricultura urbana, às hortas comunitárias e às iniciativas de segurança alimentar como alternativas para melhorar as condições de vida nas periferias.

Durante a entrevista, apresentou ainda o projeto Sumak Kawsay — Bem Viver, desenvolvido no âmbito da UnB, que promove o diálogo com povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais, valorizando seus conhecimentos e suas experiências culturais.

Para Marta, a construção de uma sociedade antirracista depende da articulação entre educação, políticas públicas, participação social e fiscalização das práticas institucionais. A pesquisadora encerrou sua participação defendendo a ampliação dos espaços de comunicação dedicados à população negra, para democratizar o conhecimento e fortalecer a luta por igualdade racial.

O programa Identidade Negra é transmitido pela TV Comunitária de Brasília, canal 12 da Claro NET-DF, e pelas plataformas digitais da emissora.

Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:

 

Deixe um comentário