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Burnout: quando o trabalho ultrapassa os limites e começa a adoecer

Burnout: quando o trabalho ultrapassa os limites e começa a adoecer

Exaustão que não desaparece nem depois do fim de semana pode ser sinal de alerta. Especialistas explicam como reconhecer o esgotamento profissional, quais são os direitos do trabalhador e o papel das empresas na prevenção.

O cansaço deixou de passar depois do fim de semana? As férias já não são suficientes para recuperar as energias? Pensar em voltar ao trabalho provoca ansiedade e até sintomas físicos? Esses sinais podem indicar que o desgaste profissional ultrapassou os limites do cansaço cotidiano.

O tema foi debatido no programa Brasília Notícias, da TV Comunitária de Brasília, com o advogado e professor Mysael Sousa, especialista em Direito do Trabalho, e a psicóloga Raquel Ramos, em conversa conduzida pela apresentadora Fernanda Carvalho.

Mysael explicou que a síndrome de burnout está relacionada ao esgotamento profissional e pode ocorrer quando as condições de trabalho começam a comprometer a saúde física e emocional. Jornadas excessivas, pressão constante e acúmulo de funções aparecem entre os fatores que podem contribuir para o adoecimento.

Para Raquel, um dos principais sinais de alerta surge quando o descanso deixa de proporcionar recuperação. No cansaço comum, momentos de lazer, convivência familiar e repouso costumam ajudar na recomposição das energias. No burnout, segundo a psicóloga, nem mesmo fins de semana ou férias conseguem cumprir plenamente essa função.

O problema nem sempre é percebido pela queda de produtividade. Um profissional pode continuar cumprindo horários, atingindo metas e entregando resultados enquanto enfrenta um processo de esgotamento. A exigência permanente de alto desempenho pode, inclusive, contribuir para esconder os sinais de adoecimento.

Ansiedade ao pensar no trabalho, exaustão persistente, insônia, sintomas físicos e perda do interesse por atividades antes prazerosas estão entre os sinais mencionados durante o programa. Raquel ressaltou que o processo costuma ser gradual e pode se intensificar quando os primeiros sintomas são ignorados.

A prevenção também passa pelas empresas. Os especialistas defenderam treinamento de gestores, definição clara das atribuições, atenção às jornadas e cargas de trabalho, canais de acolhimento e facilitação do acesso a acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

Mysael destacou ainda que o burnout pode ter repercussões trabalhistas e previdenciárias. Conforme a situação clínica e a avaliação profissional, o trabalhador pode necessitar de afastamento e de avaliação pelo INSS.

A principal orientação dos convidados foi não normalizar o sofrimento. Ao perceber que a relação com o trabalho está afetando de forma persistente a saúde e a vida pessoal, a recomendação é reconhecer os sinais e buscar avaliação profissional antes que o quadro se agrave.

Confira a íntegra da conversa no youtube da TV Comunitária de Brasília:

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