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Paulo Kliass aponta críticas à política econômica do governo e alerta para riscos eleitorais em 2026

Paulo Kliass aponta críticas à política econômica do governo e alerta para riscos eleitorais em 2026

Durante entrevista concedida ao jornalista Beto Almeida, com participação de César Fonseca, o economista e especialista em políticas públicas Paulo Kliass fez uma análise crítica da condução da política econômica do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, a manutenção dos juros elevados e da política fiscal restritiva tem dificultado a melhoria das condições de vida da população e pode favorecer o avanço da oposição nas eleições de 2026.

Kliass afirmou que a taxa básica de juros (Selic), mantida em 15% ao ano, representa um obstáculo ao desenvolvimento econômico do país. Para o economista, a remuneração oferecida pelas aplicações financeiras acaba sendo mais atraente do que os investimentos produtivos, comprometendo a expansão da indústria e a geração de empregos de maior qualidade.

“O Brasil continua entre os países com as maiores taxas reais de juros do mundo. Isso inibe investimentos e favorece a lógica rentista”, avaliou.

“O povo não come PIB”

Ao comentar os indicadores econômicos divulgados pelo governo, Kliass destacou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a queda do desemprego não são suficientes para garantir a aprovação popular.

Inspirando-se em uma frase da economista Maria da Conceição Tavares, ele ressaltou que “o povo não come PIB, o povo come alimentos”, defendendo que a população avalia a situação econômica a partir do seu cotidiano, do poder de compra dos salários e da qualidade dos serviços públicos.

Segundo o especialista, embora os índices oficiais apontem para uma redução do desemprego, grande parte dos postos de trabalho gerados apresenta elevado grau de precarização, resultado das reformas trabalhistas implementadas nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Críticas ao arcabouço fiscal

Outro ponto abordado na entrevista foi a política fiscal adotada pelo governo. Kliass classificou o novo arcabouço fiscal como uma continuidade da lógica do antigo teto de gastos, argumentando que as restrições recaem sobre despesas sociais, enquanto os gastos financeiros, especialmente com os juros da dívida pública, permanecem sem limitações.

De acordo com ele, em 2025 o país teria ultrapassado a marca de R$ 1 trilhão em despesas com juros da dívida, ao mesmo tempo em que o governo realiza contenções em áreas como saúde, educação e investimentos públicos.

“O ajuste fiscal comprime as despesas sociais, mas preserva aquilo que chamo de despesas VIP, que são os pagamentos de juros da dívida”, afirmou.

Risco político para 2026

Na avaliação de Paulo Kliass, os resultados econômicos percebidos pela população poderão influenciar diretamente a disputa eleitoral de 2026. Embora reconheça indicadores positivos, como o crescimento da economia e a redução da taxa oficial de desemprego, ele considera que a insatisfação popular decorre da perda de poder de compra dos salários e da precarização dos serviços públicos.

Para o economista, o governo precisaria adotar medidas mais ousadas, com ampliação dos investimentos públicos e revisão das metas de inflação e das metas fiscais, a fim de promover crescimento econômico acompanhado de melhoria efetiva nas condições de vida da população.

Debate sobre os rumos da economia

Ao longo da entrevista, Kliass também defendeu a necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento voltado para o fortalecimento da indústria, o aumento do investimento público e a redução da dependência da economia brasileira em relação às exportações de commodities.

Para ele, a predominância de ideias econômicas conservadoras continua influenciando a formulação das políticas públicas no país, inclusive dentro do próprio governo, e limita a adoção de alternativas capazes de promover crescimento com maior distribuição de renda e fortalecimento do mercado interno.

A entrevista integra um amplo debate sobre os rumos da economia brasileira e os desafios enfrentados pelo governo diante do cenário político e eleitoral dos próximos anos.

Confira a íntegra da entrevista no youtube da TV Comunitária de Brasília:

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