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Câmara dos Deputados reconhece 29 anos de resistência da TV Comunitária de Brasília

Câmara dos Deputados reconhece 29 anos de resistência da TV Comunitária de Brasília

Iniciativa da deputada Érika Kokay homenageia trajetória da TVComDF e os 30 anos da ABRAÇO e recoloca no Congresso Nacional o debate sobre comunicação comunitária, democracia e direito à voz. A audiência pública será transmitida pelo youtube da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e também pelo canal da TV Comunitária de Brasília e suas redes sociais e streaming:

Onde assistir a TV Comunitária de Brasília: Canal 12 na Claro NET-DF e na home (www.tvcomunitariadf.com), no YouTube (TV Comunitária de Brasília e Satélites), Facebook e Instagram (@tvcomdf), Viva Live TV (canal 586 na Europa, Estados Unidos e América Latina), UTV Play Plus (canal 19) e nos streamings da Apple (iMac, iPhone e iPed), Roku Express (nas smarts tvs Philco, AOL e TCL), Samsung, Multicanal (plataforma russa na Roku, LG, Samsung e SmartTV), Rede iTV, Olho na TV/Masper TV (https://www.olhosnatv.com.br/2018/09/tv-comunitaria-df.html). O canal está disponível também na palma da sua mão. Basta clicar no link: https://5b7f3c45ab7c2.streamlock.net/8008/8008/playlist.m3u8

Por Paulo Miranda  – Brasília (DF) – Há 29 anos, a TV Comunitária de Brasília fez uma escolha que definiria toda a sua história: abrir as câmeras e os microfones para aqueles que raramente encontravam espaço nos grandes meios de comunicação. Agora, essa trajetória de resistência, pluralidade e defesa da democracia será homenageada na Câmara dos Deputados.

A deputada federal Érika Kokay (PT-DF) aprovou o Requerimento nº 73/2026 na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial para a realização de uma audiência pública destinada a debater “a comunicação comunitária como instrumento de promoção dos direitos humanos, da inclusão social, da diversidade e da participação democrática”. A iniciativa também celebrará os 30 anos da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (ABRAÇO), entidade que representa uma das mais importantes experiências de organização nacional dos comunicadores populares brasileiros.

O requerimento foi aprovado na manhã de 8 de julho de 2026, no Plenário 9 da Câmara dos Deputados. Não se trata apenas de uma homenagem de aniversário. Trata-se do reconhecimento de uma luta histórica.

A televisão que decidiu ouvir Brasília

A TV Comunitária de Brasília nasceu de uma ideia simples e, ao mesmo tempo, profundamente democrática: a sociedade também tem o direito de produzir sua própria comunicação. Em uma cidade conhecida nacionalmente como centro do poder político, a TVComDF escolheu olhar para quem vive Brasília todos os dias: trabalhadores, estudantes, mulheres, população negra, comunidade LGBTQIA+, pessoas com deficiência, agricultores familiares, artistas, professores, ambientalistas, sindicalistas, movimentos populares e organizações da sociedade civil.

Durante quase três décadas, essas vozes entraram nos estúdios da TV Comunitária de Brasília não apenas para serem entrevistadas. Elas passaram a ocupar a televisão. A apresentar programas. A construir pautas. A produzir debates. A contar suas próprias histórias.

Essa é uma das diferenças fundamentais entre a comunicação comercial e a comunicação comunitária. A TV Comunitária não fala apenas sobre o povo. Ela entrega o microfone ao povo.

“Aqui cabemos todos”

Ao longo dos anos, uma frase passou a sintetizar o espírito da emissora: “Aqui cabemos todos.” Não é apenas um slogan. É uma definição editorial. Em uma sociedade marcada por desigualdades, preconceitos e tentativas permanentes de silenciamento, abrir espaço para a diversidade também é uma forma de resistência. A TV Comunitária de Brasília construiu sua programação com a presença de diferentes pensamentos, culturas, movimentos e experiências sociais.

Nos seus estúdios, a democracia não aparece apenas como tema de debate. A democracia é praticada diariamente. Cada programa produzido por uma entidade social, cada entrevista com uma liderança comunitária, cada manifestação cultural exibida e cada denúncia apresentada por segmentos historicamente invisibilizados representam uma pequena ruptura com a concentração da palavra.

É por isso que a comunicação comunitária incomoda. Porque ela democratiza aquilo que durante muito tempo permaneceu concentrado: o direito de falar para muitas pessoas.

29 anos sobrevivendo sem abandonar seus princípios

Manter uma televisão comunitária durante quase três décadas no Brasil não é tarefa simples. A TV Comunitária de Brasília atravessou crises econômicas, transformações tecnológicas e profundas mudanças na forma como a sociedade consome informação. Viu nascer a internet comercial. Acompanhou a expansão das redes sociais. Assistiu à chegada das plataformas digitais e dos serviços de streaming. Enfrentou a crescente concentração da publicidade nas grandes empresas de tecnologia. E permaneceu no ar.

A tecnologia mudou. As plataformas mudaram. Os hábitos do público mudaram. Mas uma coisa não mudou: o compromisso da TV Comunitária de Brasília com a democratização da comunicação.

Hoje, a TVComDF está no canal 12 da Claro NET no Distrito Federal, nas redes sociais e em diferentes plataformas digitais e de televisão conectada. Uma emissora comunitária que nasceu na televisão por assinatura atravessou a revolução digital e continua buscando novos caminhos para chegar ao público.

Sobreviver também é resistir. Uma trajetória ligada à luta nacional pela democratização da comunicação A história da TV Comunitária de Brasília está diretamente vinculada ao movimento nacional pela democratização dos meios de comunicação.

Seu presidente, o jornalista Paulo Miranda, participa há décadas da defesa das televisões e rádios comunitárias e da construção de políticas públicas para o setor. A reivindicação central é clara: a comunicação comunitária precisa ser reconhecida pelo Estado brasileiro como instrumento de interesse público.

Não existe democracia plena quando poucas empresas possuem capacidade para definir grande parte das informações que circulam na sociedade. A liberdade de expressão não pode ser privilégio de quem possui grandes redes de televisão, estruturas empresariais ou bilhões de dólares para controlar plataformas digitais.

Democracia exige pluralidade. E pluralidade exige meios de comunicação diversos. É nesse cenário que a TV Comunitária de Brasília construiu seus 29 anos de história.

ABRAÇO: 30 anos defendendo o direito das comunidades à comunicação

A homenagem proposta por Érika Kokay também alcança milhares de radialistas e comunicadores populares de todo o Brasil.A Associação Brasileira de Rádios Comunitárias completa 30 anos de existência carregando uma história marcada por mobilização, organização e resistência. Durante décadas, rádios comunitárias enfrentaram perseguições, apreensão de equipamentos e enormes dificuldades para conquistar reconhecimento legal. Mesmo assim, continuaram transmitindo.

Em pequenas cidades, periferias e comunidades distantes dos grandes centros urbanos, essas emissoras muitas vezes são o principal veículo de informação local. Divulgam campanhas de vacinação. Anunciam pessoas desaparecidas. Informam sobre serviços públicos. Abrem espaço para artistas da própria comunidade. Debatem os problemas dos bairros. Dão voz às associações populares. Em momentos de emergência, ajudam a salvar vidas.

A história da ABRAÇO é, sobretudo, a história de milhares de brasileiros que decidiram que suas comunidades também tinham direito a possuir voz própria. Érika Kokay coloca comunicação comunitária no centro dos direitos humanos

A importância política da iniciativa da deputada Érika Kokay também está no espaço escolhido para o debate. A audiência será realizada no âmbito da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados.

A mensagem é inequívoca: comunicação é direito humano.

Não existe cidadania plena quando uma pessoa possui formalmente liberdade para falar, mas não encontra nenhum espaço para ser ouvida. O direito à comunicação exige diversidade de meios, pluralidade de opiniões e acesso da sociedade às ferramentas de produção e circulação de informações.

Ao homenagear a TV Comunitária de Brasília e a ABRAÇO, Érika Kokay reconhece que rádios e televisões comunitárias fazem parte da infraestrutura democrática do país. São espaços de combate ao racismo. De enfrentamento à violência contra as mulheres. De defesa da população LGBTQIA+. De valorização da cultura popular. De proteção do meio ambiente. De promoção dos direitos das pessoas com deficiência. De organização dos trabalhadores. De participação da juventude. De defesa dos direitos humanos.

Homenagem é reconhecimento, mas a luta continua

A homenagem na Câmara dos Deputados tem enorme significado histórico. Mas os desafios da comunicação comunitária continuam. Rádios e televisões comunitárias ainda enfrentam dificuldades financeiras, limitações tecnológicas e ausência de políticas públicas permanentes capazes de assegurar sua sustentabilidade.

Enquanto bilhões de reais circulam no mercado publicitário e grandes plataformas digitais ampliam seus lucros, centenas de veículos comunitários lutam diariamente para manter equipamentos, equipes e estruturas mínimas de funcionamento.

É preciso discutir a distribuição democrática das verbas públicas de publicidade. É preciso criar políticas de modernização tecnológica. É preciso garantir presença da comunicação comunitária nas novas plataformas digitais. É preciso reconhecer o trabalho dos comunicadores populares. E, principalmente, é necessário compreender que fortalecer a comunicação comunitária significa fortalecer a democracia brasileira.

Uma homenagem a milhares de vozes

Quando a Câmara dos Deputados homenagear os 29 anos da TV Comunitária de Brasília e os 30 anos da ABRAÇO, a homenagem não estará restrita aos dirigentes dessas instituições. Ela chegará a cada apresentador que entrou em um estúdio comunitário. A cada radialista que ligou um transmissor. A cada cinegrafista que registrou uma manifestação popular. A cada produtor que organizou uma pauta. A cada técnico que manteve uma emissora no ar. A cada liderança comunitária que encontrou um microfone aberto. A cada jovem que participou de uma oficina de comunicação e descobriu que também poderia contar sua própria história. A cada movimento social que encontrou na mídia comunitária um espaço para apresentar suas reivindicações. São milhares de pessoas. Milhares de histórias. Milhares de vozes.

A resistência agora será homenageada

Durante 29 anos, a TV Comunitária de Brasília permaneceu no ar defendendo uma convicção: o direito à comunicação pertence à sociedade. Não foi uma caminhada fácil. Mas foi uma caminhada necessária. A iniciativa da deputada federal Érika Kokay representa um reconhecimento institucional dessa trajetória e ajuda a recolocar a democratização da comunicação na agenda política do Congresso Nacional.

A TV Comunitária de Brasília chega aos 29 anos com a mesma disposição que marcou sua criação. Abrir espaços. Romper silêncios. Mostrar a diversidade. Defender direitos. Dar voz a quem precisa ser ouvido. Porque uma democracia não pode ser construída com poucas vozes falando para milhões. Uma verdadeira democracia precisa permitir que milhões de vozes possam falar.

TV Comunitária de Brasília – 29 anos de resistência, diversidade e democracia.

Aqui cabemos todos!

Assista a audiência pública pelas redes sociais da TV e também pelo youtube:

 

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