Jornalistas defendem volta da exigência do diploma como instrumento de valorização profissional e da democracia
Debate promovido pelo FNDC relaciona formação profissional, combate à desinformação e direito da sociedade à informação de qualidade
A retomada da exigência do diploma para o exercício profissional do jornalismo foi defendida como instrumento de valorização da categoria e de fortalecimento da democracia durante o programa Vozes pela Democracia, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). O debate reuniu a jornalista e escritora Cristina Serra e o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Thiago Tanji, com apresentação de Sousa Júnior.
Os participantes discutiram os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, em 2009, derrubou a obrigatoriedade do diploma. Para Tanji, a formação universitária oferece conhecimentos técnicos, éticos e humanísticos fundamentais para diferenciar o trabalho jornalístico da simples manifestação de opiniões nas redes sociais.
O dirigente ressaltou que a defesa do diploma não significa restringir a liberdade de expressão nem impedir a atuação de comunicadores populares e comunitários. Segundo ele, qualquer cidadão continuará tendo direito de expressar opiniões, enquanto o jornalismo profissional envolve atividade regular de apuração, checagem, seleção e contextualização de informações.
Cristina Serra também defendeu a formação profissional e destacou o impacto social do jornalismo. Para a jornalista, a atividade não pode ser reduzida ao domínio de técnicas de texto e apuração, porque envolve responsabilidade pública e compromisso com informações verificadas. “Informação salva vidas”, afirmou.
Durante o programa, foi lembrado que uma Proposta de Emenda à Constituição destinada a restabelecer expressamente a exigência do diploma já passou pelo Senado e aguarda votação na Câmara dos Deputados.
Tanji relacionou a defesa da formação profissional ao enfrentamento da precarização do trabalho e da desinformação. Para ele, diante da expansão das fake news, o jornalismo profissional tornou-se ainda mais importante para a democracia.
Cristina Serra sintetizou o debate ao defender a informação qualificada como elemento indispensável à sociedade: “Informação salva vidas, desinformação mata. Informação é fundamental para a democracia. Desinformação mata a democracia.”
Confira a íntegra do programa Vozes pela Democracia no youtube da TV Comunitária de Brasília:
